Acção de Capacitação para pessoas com surdez ou em risco de surdez termina com sessão na sede da APNF

Terminou no dia 4 de Março a Acção de Capacitação para pessoas com surdez ou em risco de surdez promovida pela Associação Portuguesa de Neurofibromatose.

Depois de três sessões em formato online, realizadas a 14, 21 e 28 de Janeiro, a formação encerrou com uma actividade presencial, na sede da APNF em Lisboa, que reuniu vários participantes e a equipa de formadores, constituída por Pedro Silveira, Mónica Silveira e Isabel Almeida.

“Completamente diferente ser em modo ‘virtual’ ou físico; gostei muito mais do modo físico porque, tendo em conta que não oiço, a interacção com os participantes é fundamental, dá uma noção totalmente diferente”, refere Vânia Velho, 36 anos, portadora de Neurofibromatose tipo 2 (NF2).

A Acção de Capacitação tinha como destinatários pessoas com diagnóstico de NF2 ou outras patologias manifestando algum tipo de surdez ou risco de ensurdecer, sem limite de idade, possibilitando também a inscrição de um familiar – o que se verificou com todos os participantes.

“Foi com entusiasmo que nos inscrevemos e participámos na formação. Falámos em família que seria uma boa oportunidade para encarar a doença sem tabus e com sentido de esperança”

Cecília Simões

“Foi com muito entusiasmo que nos inscrevemos e participámos na formação. Falámos em família que seria uma boa oportunidade para conhecermos melhor a possível realidade que a doença nos pode trazer, e deste modo encarar sem tabus e com sentido de esperança”, enfatiza Cecília Simões, mãe do jovem Eduardo, de 12 anos, portador de NF.

“Acção muito enriquecedora tanto ao nível informativo como também ao nível pessoal”

Vânia Velho

Para Vânia Velho, tratou-se de “uma acção muito enriquecedora tanto ao nível informativo como também ao nível pessoal”, na medida em que permitiu “conhecer outras pessoas com o mesmo problema.” “Nunca tinha tido a oportunidade de partilhar diferentes experiências/trocar dicas que cada pessoa tem”, assinala ainda.

Ricardo Barradinha, 36 anos, portador de NF2, foi outro dos participantes na Acção de Capacitação. Inscreveu-se “na procura de soluções para melhorar a qualidade de vida, dentro do possível”, e chegou ao fim convicto de que “estas acções são muito importantes para quem tem NF2.”

A formação da APNF propunha-se dotar os portadores de NF2 ou outros doentes com patologias que afectem a audição, e seus familiares, de competências comunicativas para uma interacção mais eficaz, bem como disponibilizar ao público-alvo informação que lhe permita estar mais apto a interagir com o mundo que o rodeia e aconselhamento a nível da acessibilidade em áreas como educação, formação, emprego e legislação.

Na opinião de Ricardo, estes objectivos foram alcançados.

“Percebemos como podemos ultrapassar algum problema que tenhamos, através de estratégias que podemos usar no nosso dia a dia”

Ricardo Barradinha

“Aprendemos várias coisas importantes para o nosso dia a dia. Percebemos como podemos ultrapassar algum problema que tenhamos, através de estratégias que podemos usar no nosso dia a dia. E acima de tudo, o que é uma ajuda incomensurável, conhecemos e sabemos que temos alguém para nos apoiar e ajudar nas questões que vão sempre surgindo na nossa vida (seja apoios financeiros, seja apoios psicológicos, seja apoio na ultrapassagem das infindáveis burocracias, etc.)”, salienta, acrescentando: “Ficamos a saber quem devemos procurar quando surgirem as questões. O que para além da óbvia ajuda (porque dirigir aos serviços que dão os apoios para obter informações por vezes é uma tarefa inglória, para não dizer desesperante) é um enorme conforto psicológico.”

A introdução à Língua Gestual Portuguesa (LGP), e o valor da sua aprendizagem, foi outra das componentes desta Acção de Capacitação da APNF.

“Ficámos sensibilizados para a importância da Língua Gestual e com vontade de aprender mais”

Cecília Simões

“Ficámos sensibilizados para a importância da Língua Gestual e com vontade de aprender mais, sem dúvida pela forma cativante com que os formadores a apresentaram”, aponta Cecília Simões, que destaca ainda a oportunidade proporcionada por esta actividade de “integrar na comunidade NF e conhecer outras pessoas e famílias com quem aprender/partilhar.”

Já o jovem Eduardo encontrou uma forma original de aplicar os ensinamentos no dia a dia, especialmente nas brincadeiras com o irmão.

“Gostei de aprender Língua Gestual e divirto-me com o mano! Como não sei outros gestos, inventamos; é a nossa língua secreta!”, confidencia.

Vânia Velho, que participou na Acção de Capacitação com a mãe, Maria de Lurdes, considera que estas actividades são “sempre uma mais-valia”: “Gostei muito e a partir de agora estarei mais atenta às iniciativas da Associação, nas quais participarei se tiver oportunidade.”

Leia também:

Acção de Capacitação para pessoas com surdez ou em risco de surdez – 1.ª sessão (vídeo)

Acção de Capacitação para pessoas com surdez ou em risco de surdez – 2.ª sessão (vídeo)

Acção de Capacitação para pessoas com surdez ou em risco de surdez – 3.ª sessão (vídeo)