Dra. Marta Amorim: “É fundamental identificar e acompanhar todas as pessoas com NF em Portugal”

Dra. Marta Amorim, médica geneticista, especialista em Neurofibromatose, marcou presença, no dia 12 de Julho, no programa ‘Consultório’ do Porto Canal.

Ocasião para dar a conhecer e sensibilizar para este conjunto de três doenças genéticas raras (NF1, NF2 e Schwannomatose), todas sem cura até ao momento, mas com perspectivas animadoras no domínio da investigação em novos fármacos.

“Os números estimados em Portugal são cerca de 4000 indivíduos [portadores de Neurofibromatose], se bem que não estão todos diagnosticados. Também por isso é importante falar da Neurofibromatose, porque provavelmente há pessoas que não estão identificadas e não fazem parte do sistema. Aos dias de hoje, sendo possível fazer terapêuticas e sendo essencial o acompanhamento destes utentes, é fundamental trazê-los à rede e falar destas patologias, que, ainda que sejam raras, têm impacto na nossa sociedade”, começou por salientar, explicando que “as doenças raras têm uma frequência inferior a 1 pessoa para 2000”.

“Sendo possível fazer terapêuticas e sendo essencial o acompanhamento destes utentes, é fundamental trazê-los à rede e falar destas patologias”

Dra. Marta Amorim

“A Neurofibromatose é, efectivamente, uma doença rara porque tem uma frequência de 1 para 3000, mas dentro das doenças raras é uma das mais frequentes, e há já um vasto conhecimento sobre a doença”, sublinhou a Dra. Marta Amorim.

“Esta doença tem um diagnóstico clínico”, assinalou, elucidando que a Neurofibromatose “é uma das poucas doenças genéticas para as quais há um número de critérios”. “E, a partir do momento em que uma pessoa tem mais do que dois [critérios] de uma determinada lista, conseguimos fazer o diagnóstico clínico”, referiu.

“Confirmamos molecularmente em determinadas situações, por exemplo: se a pessoa quer usar essa informação para ter filhos; se esse resultado é essencial para entrar num ensaio clínico; ou se por algum motivo estamos na dúvida”, explicou a Dra. Marta Amorim, antes de anotar que a Neurofibromatose “tem vários sinais e sintomas, mas só se vão manifestar completamente aos 8 anos de idade, e apenas nessa altura é possível fazer o diagnóstico clínico.”

Uma das melhores notícias dos últimos tempos

Na entrevista ao Porto Canal, a Dra. Marta Amorim apontou aquela que, na sua opinião, constitui “uma das melhores notícias dos últimos tempos” no que à Neurofibromatose diz respeito.

“O facto de conhecermos o gene e sabermos onde actua permitiu desenvolver um fármaco [selumetinib] que vai inibir o efeito deste gene; é um travão do crescimento dos nervos, que não estando a funcionar faz com que aquelas massas cresçam. Através deste inibidor MEK conseguimos compensar a ausência deste travão”, detalhou.

A importância do acompanhamento

A Dra. Marta Amorim não tem dúvidas: no caso específico da Neurofibromatose, é fundamental garantir um adequado acompanhamento médico ao paciente, tanto na idade pediátrica como na idade adulta.

“O acompanhamento é essencial. Como a Neurofibromatose é uma doença pediátrica, a articulação da idade pediátrica para a idade adulta é algo que ainda falha no nosso sistema. Muitas vezes, os jovens que têm um acompanhamento durante a idade pediátrica, quando atingem os 18 anos ficam perdidos no sistema. No caso das doenças genéticas, que são doenças crónicas, isto não pode acontecer”, vincou.

“Como a Neurofibromatose é uma doença pediátrica, a articulação da idade pediátrica para a idade adulta é algo que ainda falha no nosso sistema”

Dra. Marta Amorim

“Neste momento, temos uma consulta no IPO [de Lisboa] com o Dr. João Passos, que é um médico brilhante e super dedicado a esta patologia; ele tem agarrado estes doentes e mantido um acompanhamento”, ressaltou, alertando que os pacientes de Neurofibromatoses “não podem perder o acompanhamento” ao longo das suas vidas.

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