i3S cria “mini-tumores” cerebrais para personalizar tratamento do cancro pediátrico

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), da Universidade do Porto, desenvolveram em laboratório organoides cerebrais, estruturas tridimensionais semelhantes a “mini-tumores”, a partir de material cirúrgico de tumores cerebrais pediátricos. Estes modelos reproduzem com grande fidelidade as características dos tumores originais, incluindo aspetos morfológicos e genéticos, o que abre novas perspectivas para a medicina de precisão no tratamento destas doenças em crianças.

Os organoides foram criados a partir de amostras de diferentes tipos de tumores cerebrais infantis — como gliomas de baixo e alto grau, meduloblastomas e casos raros com alterações genéticas específicas — e permitem aos cientistas testar uma variedade de fármacos em laboratório. Essa abordagem pode ajudar a identificar quais os tratamentos mais eficazes e menos tóxicos para cada tipo de tumor, superando limitações dos modelos pré-clínicos tradicionais.

O trabalho, publicado na revista Precision Oncology, resultou de uma colaboração contínua entre investigadores do i3S e clínicos do Hospital de São João, incluindo oncologistas pediátricos, neurocirurgiões e patologistas. Esta parceria facilitou a recolha de amostras cirúrgicas e a criação de uma plataforma que poderá evoluir para um biobanco de organoides, útil para futuras pesquisas e desenvolvimento de terapias personalizadas.

Segundo os responsáveis pela investigação, este avanço representa um passo importante na criação de tratamentos mais direcionados e eficazes para crianças com tumores cerebrais, com potencial para melhorar significativamente os resultados clínicos e reduzir os efeitos secundários associados às terapias convencionais.

i3S cria “mini-tumores” cerebrais para personalizar tratamento do cancro pediátrico