Uma visão sobre a Neurofibromatose no interior de Portugal
Conhecemos a Dra. Leonor Salicio, médica Pediatra no Hospital Sousa Martins – Unidade Local de Saúde da Guarda, por ocasião do 22.º Congresso Nacional de Pediatria, que teve lugar em Outubro de 2022, no Porto.
A Associação Portuguesa de Neurofibromatose esteve presente nesse importante evento na qualidade de Sociedade Civil (assim será também na edição de 2023, em Lisboa), com o propósito de prestar esclarecimentos sobre as neurofibromatoses (NFs) junto dos participantes, bem como dar a conhecer a nossa missão e as linhas de apoio que disponibilizamos à comunidade NF em Portugal.

no Hospital da Guarda
A Dra. Leonor Salicio desconhecia a existência, no nosso País, de uma associação dedicada às pessoas com NFs, cuidadores, familiares e amigos. Por acompanhar pacientes com esta condição, foi com particular interesse que nos abordou durante o Congresso, procurando informar-se sobre a APNF.
Da troca de impressões nasceu a ideia de uma futura entrevista à nossa Associação. O convite foi feito no passado mês de Junho. O objectivo, explicámos, seria dar a conhecer a realidade do acompanhamento médico a pacientes com NFs no interior de Portugal. Convite que a Dra. Leonor Salicio teve a amabilidade de aceitar.
Natural de Salamanca, Espanha, foi na sua cidade-natal que se licenciou em Medicina (2005). A paixão por Portugal acompanha-a desde sempre. “O meu pai é de uma terra junto à fronteira e sempre gostei muito deste país”, refere. No segundo ano da licenciatura, decidiu começar a estudar português na Escola Oficial de Línguas, em Salamanca.
“Senti que poderia fazer alguma coisa para ajudar as crianças, sobretudo as crianças com dificuldades.”
Dra. Leonor Salicio
A especialização em Pediatria, reconhece, não era a sua primeira opção. Porém, à medida que os anos foram passando, sentiu que “poderia fazer alguma coisa para ajudar as crianças, sobretudo as crianças com dificuldades.”
O seu percurso profissional levou-a por diversas instituições de saúde em Portugal. Pelo caminho, fez também uma pós-graduação em Neurodesenvolvimento na Faculdade de Medicina de Lisboa.
Está há 12 anos no Hospital Sousa Martins, na Guarda. Na consulta de Pediatria Geral acompanhou alguns casos de neurofibromatose tipo 1 (NF1). Não muitos porque, conforme explica, “a área de abrangência do hospital corresponde a áreas desertificadas do interior de Portugal, com escassa população pediátrica.”
Quisemos perceber até que ponto estes pacientes têm acesso a um acompanhamento médico multidisciplinar, e se existe um trabalho em rede entre clínicos de várias especialidades.
“Não é um trabalho realmente em equipa ou 100% protocolado”, nota a Dra. Leonor Salicio, que, por norma, encaminha os seus pacientes com NFs para o Hospital Pediátrico de Coimbra.
A interioridade, sublinha, representa um desafio suplementar para estes pacientes e também para os profissionais de saúde que os seguem.
Questionada sobre o que poderá ser feito para melhorar a qualidade do acompanhamento às pessoas com NFs, não só no interior do País, como a nível nacional, considera fundamental a implementação de um “protocolo de diagnóstico, seguimento e tratamento”, assim como a dinamização de “grupos de trabalho transdisciplinares” que facilitem e promovam o contacto regular no seio da comunidade médica.
Por: Rui Vieira
Leia a entrevista à Dra. Leonor Salicio
